sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ericeirense - AC TOjal B

sábado, 20 de Março de 2010
ERICEIRENSE 5:2 TOJAL B (SUB-11)
Campo Henrique Tomás Frade, na Ericeira
Árbitro: Carlos Mesquita (AFL)
ERICEIRENSE: Edson Carlos; Luís Honrado, Jorge Morais e Pedro Gouveia (cap.); Gonçalo Ribeiro e Alex; João Pedro
No banco: Ricardo Bernardo, Ricardo Batalha, Tomás Gonçalves, Tomás Cardoso e Santiago Correia
Treinador: Zé Carlos
Delegado: Beto
AT.TOJAL B: Guilherme Mocho; Diogo Leitão, Humberto Filipe e Miguel Ferreira; João Mendes (cap.); Pedro Xavier e Carlos Fernandes
Mais tarde entraram: Emanuel Silva e Edgar Martins
Treinador: João Véstia
Delegada: Cátia Rangel
Manhã nublada, com chuviscos, principalmente na segunda parte
Ao intervalo: 3-2
Golos: 1-0 por Alex com um cabeceamento perfeito, após cruzamento de João Pedro na direita, aos 9m; 2-0 por João Pedro que, isolado por Alex depois de uma recuperação de bola por Tomás Gonçalves no meio, acaba por ultrapassar o próprio guarda-redes, seguindo sozinho para a baliza, aos 13m; 2-1 por Carlos Fernandes com um belo remate ao ângulo esquerdo, após a marcação de um canto, aos 20m; 3-1 por Santiago Correia aos 23m, num lance em tudo idêntico o segundo golo do Ericeirense e com o mesmo intérprete, João Pedro, que em corrida se desmarca e finta o guarda-redes, acabando por ser Santiago, que acompanhara a jogada, a empurrar a bola para a baliza; 3-2 logo de seguida aos 25m, de novo após a marcação de um canto, com remate desta vez de Diogo Leitão, não ficando Edson Carlos muito bem na fotografia, já que a bola lhe passa por baixo; 4-2 a abrir a segunda parte numa grande jogada entre Alex e João Pedro (outra vez os dois!) tirada a papel químico do primeiro, com a diferença de que ao cruzamento de João Pedro responde Alex com um remate a meia altura e com os pés; e 5-2 final numa jogada de contra-ataque com todo o protagonismo de Ricardo Batalha, que ganha a bola no seu meio campo e, em esforço , consegue passar por quase toda a gente, incluindo o guarda redes e entregar a bola a Alex para um golo fácil, aos 39m.
(Para ler a crónica do jogo click em "Ler Mais")
Uma manhã com S. Pedro a ameaçar constantemente desabar uma carga daquelas em cima destes miúdos, mas afinal a ser benevolente, pois só a espaços tal aconteceu, permitindo aos adultos presentes, e não foram poucos, desfrutar de quase uma hora de futebol que globalmente se pode considerar razoável, tendo momentos de muito bom futebol e outros basicamente animados e renhidos, enfim, típicos de equipas que não sendo líderes da classificação não regateiam esforços e jogam com intensidade e, porque não dizer, um futebol em estado puro…
De um lado o Ericeirense, que desde a primeira jornada, em Torres Vedras, nunca mais perdeu e segue de fininho no grupo dos terceiros, do outro uma jovem equipa mesclada com alguns miúdos de 9 anos, e que já tinha causado surpresa na primeira ronda ao empatar com o Mafra a três golos; na primeira fase já a equipa da casa tinha ganho por 4-0 e, por isso, concedia-se algum favoritismo, mas nunca fiando, que o futebol por vezes é uma caixinha de surpresas…
Vai daí, a equipa do mister Zé Carlos, após uns primeiros minutos incaracterísticos e sonolentos, decide acelerar o jogo e de preferência acabar com ele se tal fosse possível; este é, hoje por hoje, o espírito desta malta, ala que se faz tarde que o almoço é a seguir e vamos despachar isto que o fim-de-semana é curto: exceptuando uma grande defesa de Edson e um remate ao lado do capitão João Mendes, tivemos uns bons 18m de pressão constante, boas jogadas de envolvimento, muito porte atlético e inclusivamente finalizações de cabeça, ambas por Alex, uma delas fazendo o primeiro golo da manhã. A partir desta altura e impulsionada por Carlos Fernandes, de facto um jogador muito acima da média, o Tojal equilibra a partida, funcionando sobretudo com um contra-ataque venenoso mas algumas vezes inconsequente; do lado do Ericeirense falta a partir do segundo golo maior lucidez nos passes e transições mais bem pensadas, uma situação que se agravou sobretudo com o 2-1, notando-se a equipa muito mais intranquila e parecendo esperar pelo intervalo cedo demais, tornando os últimos minutos muito nervosos e tensos, com duas mudanças de marcador e uma bola ao poste do Tojal mesmo antes do 3-2 (num voo de Edson que ainda toca com a ponta dos dedos), a prometer uma segunda parte com grandes pontos de interrogação – dada a pressão e o assomo de energia da equipa forasteira, seria o Ericeirense capaz de resolver a partida?
Com efeito, e quanto a mim esse é o momento do jogo, a equipa da casa regressa com o seu sete titular e logo a abrir faz o 4-2, ideal nesta altura para serenar e permitir poder desenvolver um futebol mais ao seu estilo, isto é, em contra-ataque, onde a equipa se sente como peixe na água; tacticamente pouco versátil, o Ericeirense compensa essa falta de elasticidade (mental?) com grande espírito de entreajuda e jogando algumas vezes em antecipação, permitindo no entanto muitas liberdades ao criativo Carlos Fernandes que, com o capitão João Mendes, vão remando contra a maré, criando oportunidades e equilibrando a partida – quase todos os lances ofensivos passam por estes dois jogadores, aproveitando a rapidez do extremo do Tojal que acelera muitas vezes causando verdadeiro pânico na extrema defesa da equipa da casa; com a entrada de Ricardo Batalha finalmente a equipa consegue estancar este caudal ofensivo e manter o guarda- redes contrário em estado de alerta, facturando o quinto golo em jogada típica de contra-ataque. O resto da partida é uma luta constante no meio campo, num equilíbrio do qual beneficia o Ericeirense, melhor a gerir as incidências e jogando com o resultado a seu favor, o que vai acontecendo mais vezes, aliás esta é a segunda vez nesta fase que a equipa marca cinco golos num só desafio, o que ajuda sobremaneira ao seu crescimento.
Numa análise individual, gostei mais uma vez de Edson Carlos que, embora não esteja isento de culpas no segundo golo do Tojal, transmite segurança ao seu sector, efectuando algumas boas defesas a negar o golo, está ainda em fase de aprendizagem para o lugar e revela grandes progressos desde que aqui chegou, Luis Honrado hoje esteve mais discreto do que é habitual, Jorge Morais enquanto jogou cumpriu, Pedro Gouveia ainda teve um remate perigoso num estilo mais vertical do seu jogo, ele que tanto reclama um lugar lá na frente mas tem que ter paciência, Gonçalo Ribeiro começou bem mas progressivamente foi perdendo influência, e Alex e João Pedro, os obreiros da vitória, repartindo entre eles o protagonismo, nem sei mesmo se Alex será o homem do jogo pelos três golos, se João Pedro por os criar e muitas vezes desbaratar a defensiva contrária no seu estilo possante de “caterpiller”, sinceramente o melhor será premiar os dois que bem merecem e fizeram uma bela partida. Do banco, todos entraram bem, no entanto é justo dizer que Ricardo Batalha estancou aquele futebol que se estava a tornar ameaçador do Tojal, num estilo impetuoso que é a sua imagem de marca e que serviu para agigantar a equipa, numa fase mais adormecida, Ricardo Bernardo voltou a cumprir e bem que o recreio é para os meninos e ele gosta pouco de brincadeiras ali em zonas perigosas, Tomás Gonçalves, mais tecnicista e de fino recorte tem mais dificuldades nestes jogos de operários de fato-macaco travestidos, Santiago Correia embora numa equipa que não é a sua até um golo marcou, ele que bem acompanhou algumas jogadas e finalmente Tomás Cardoso, embora discreto pareceu-me jogar em esforço, deu-me a ideia que estaria tocado numa perna.
Dos forasteiros, bravos e nada resignados, todo o seu futebol assenta naqueles jovens referidos lá atrás, Carlos Fernandes e João Mendes; este último, o seu capitão, no meio, ganhou mais duelos do que perdeu, municiando muitas vezes o seu extremo, que, num estilo pouco comum com os seus cabelos ao vento, revelou de facto estar bem acima da média geral da partida, com um belo pé esquerdo e um drible feito ora de toques curtos e incisivos ora de maior “alongamento”, onde a sua leveza traía os defesas, já que raramente perdia um lance em profundidade; estivesse ele acompanhado com mais um ou outro jogador deste quilate e teríamos uma senhora equipa aqui hoje na Ericeira, sem desmerecer o resto da malta, que bem tentou e por vezes conseguiu, remar contra a maré neste mar por vezes bem agitado em que se tornou o futebol do Ericeirense.
Uma palavra para a claque, hoje para além da buzina e da sirene tivemos também um bombo, quer dizer, nunca se sabe muito bem as surpresas que esta malta nos reserva, por este andar ainda teremos qualquer dia uma orquestra por ali, bem afinadinha que o pessoal tem as gargantas a pronto e se for caso disso, o bar é logo ali ao lado, para refrescar…
Do árbitro nem dei por ele, para ser franco nem percebi se esteve em campo, tão fácil têm sido os jogos na Ericeira…
Dino Gouveia

Equipa fantástica...