domingo, 16 de Maio de 2010
AT. TOJAL B 2:3 ERICEIRENSE (Sub-11)
ARRANCADO A FERROS…
Campo Meia Laranja, em Santo Antão Tojal
Árbitro:
AT.TOJAL B: Gonçalo Ferreira; Diogo Leitão, Humberto Santos e Miguel Ferreira; João Mendes (cap.); Pedro Xavier e Carlos Fernandes
Mais tarde entraram: Emanuel Silva e Guilherme Mocho
Treinador: João Véstia
ERICEIRENSE: Edson Carlos; Luís Honrado, Jorge Morais e Pedro Gouveia (cap.); Alex e Ricardo Batalha; João Pedro
No banco: Tomás Cardoso, Diogo Cardoso, Vasco Oliveira “Vasquinho” e Diogo Rodrigues
Treinadores: Hugo Rodrigues e Beto
Manhã com algumas nuvens mas com temperatura amena, sintético em excelente estado
Ao intervalo: 1-0
Golos: 1-0 por Carlos Fernandes aos 8m num golo precedido de uma jogada um pouco atabalhoada, com a bola a ser lançada em balão, acabando com dois jogadores da casa isolados perante Edson, cabendo a Carlos Fernandes o remate fatal; 1-1 aos 28m, portanto logo no recomeço da segunda parte, por João Pedro, lançado por Ricardo Batalha, isolado e de fora da área perante a saída do guardião contrário a dar um toque subtil, correndo a bola devagarinho para a baliza deserta; 2-1 logo de seguida aos 31m pelo capitão João Mendes, noutro lance com responsabilidades para a equipa forasteira, após um lançamento lateral e em corrida, rematando cruzado sem hipóteses de defesa ante um atarantado Edson, pasmado com as facilidades concedidas; 2-2 cinco minutos depois aos 36m num canto tenso de Pedro Gouveia com alívio de um defesa, sobrando a bola para Vasquinho que entrega rápido para João Pedro, este, no limite da grande área teve tempo para preparar o remate, por cima, sem hipóteses para Gonçalo Ferreira; e 2-3 final de grande penalidade aos 46m, por Pedro Gouveia, a castigar falta de João Mendes sobre Diogo Rodrigues dentro da área
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Ufa! Que final de desafio este, impróprio para cardíacos, com toda a gente aos berros, quais pavarotis a plenos pulmões, a tornar um jogo que aparentemente poderia ser tranquilo, aliás como o tempo, propício para uma partida de futebol, muito sol, sintético quase parecia um relvado, em excelentes condições (um parêntesis para uma nota sobre o complexo desportivo do Tojal, que bela estrutura, com óptimas vistas, ao longe espraiando-se os aviões saindo da Portela…), enfim, tudo se conjugava para uma manhã serena mas enganou-se redondamente toda a gente, incluindo o árbitro, com alguns equívocos, mas já lá iremos…
No sete inicial do Ericeirense o regresso de Alex, no lugar de Gonçalo, hoje ausente; aposta renovada em Ricardo Batalha dos sub-10 a trazer consistência ao miolo, de resto a equipa habitual, no sistema habitual, digamos que em continuidade, que o mister Hugo Rodrigues (invicto em dois jogos!) não muda por mudar, as linhas gerais traçadas por mister Zé Carlos; de fora pensou-se que hoje poderia ser diferente, talvez num hipotético 2x3x1 agressivo no ataque, a ideia era ganhar e somar os respectivos três pontos…
Mas para ganhar é necessário atitude, seja em que sistema for, e após uns minutos iniciais de estudo mútuo e com constantes conquistas de terreno por lançamentos laterais (tipo râguebi…) por ambas as equipas, o Tojal desfere o primeiro murro no estômago de uma equipa que verdadeiramente ainda não tinha acordado, e o jogo tinha começado a meio da manhã, às 11h, mais valia passarem a ser de tarde, pelo menos nessa altura está tudo de olhos bem abertos…
Se os jovens do Ericeirense pensariam que o jogo seria um passeio, estava dado o alerta pela equipa da casa: povoando o miolo e praticamente não deixando jogar, bem comandados pelo seu capitão (esteve em todas este João Mendes!) e tendo o tal Carlos Fernandes que toda a gente já conhecia, custou a acreditar o tempo que se demorou a acertar as marcações, numa sonolência inexplicável, que incluiu outro lance para 2-0, salvo por Jorge Morais sobre a linha de golo; sem muitas oportunidades, o Tojal como que controlava, mais com o querer do que com verdadeira classe, mas isso bastava, aquele meio terreno era palco de árduas batalhas, quase sempre ganhas pela equipa da casa. Da primeira metade o registo apenas de uma verdadeira oportunidade, num remate de Vasco Oliveira aos 17m ao poste e a primeira “gralha” do árbitro, um penalty não assinalado e cometido sobre João Pedro, flagrantíssimo, mas que um jovem árbitro, parecendo-me condicionado pelo jogo anterior onde tinham existido imensas peripécias e demasiado sururu para jogos desta natureza, decidiu deixar passar, já tinham havido protestos e pensou ele que assim seria mais fácil. Não foi e o final da partida acabaria por nos dar razão, com cenas lamentáveis por parte da claque da casa, ainda bem que os jovens já estavam na cabina e não assistiram…
No intervalo verdadeiro sermão do técnico Hugo, toda a gente viu as orelhas dos miúdos a arder, vermelhas que estavam e não tinha nada a ver com o título do Benfica, que isso já foi há muito tempo, e eis que regressa uma equipa transfigurada e para melhor. Logo de seguida o empate e pensou-se que naturalmente a partir daqui o ascendente culminaria em mais golos, estaria a equipa encarreirada para o resto da partida. Pura ilusão! Nem o Ericeirense conseguiu usufruir do empate e já o Tojal desempatava, em contra-ataque mas agora sem que nada o justificasse, apenas a inépcia da defensiva forasteira, apanhada num lançamento lateral e com toda a gente a ver jogar o capitão local, caramba, ele até joga bem mas ninguém mete ali o pé?
O resto do jogo é jogado mais com o coração do que com a cabeça e isso foi fatal para o Tojal. Habituada a jogar assim quase todos os jogos, pois essa é a sua maneira habitual de se exibir e como se sente melhor, o Ericeirense torna-se a partir daqui uma equipa adulta (porque nunca se descontrolou) e metódica (porque tomou de assalto sem medo e sabendo que corria riscos), sabendo que era melhor mas tendo de o provar em campo. E assim foi, porfiando, porfiando, acabando contudo por ganhar o jogo numa grande penalidade, modo cruel de uma equipa que tem uma alma até Almeida, como se diz na gíria, quanto suor ali ficou…
Portanto, em resumo, prémio merecido e sinal positivo para a atitude da equipa, que sempre em desvantagem soube manter a cabeça no lugar e dar a volta ao resultado e à exibição, em negativo a péssima entrada em jogo, muito sonolenta, e que poderia ter tido consequências irreversíveis.
Dos jogadores, o pormenor de novamente se destacarem na equipa da casa o seu capitão João Mendes e Carlos Fernandes, curiosamente os autores dos golos, muito acima da média dos restantes; o capitão então até cansou de o ver em todo o lado, com o seu sentido de oportunidade e porte atlético, por contraste com o refinado futebol de Carlos Fernandes; no Ericeirense quase toda a gente melhorou no segundo tempo, Edson quase não teve trabalho e não tem culpas nos golos, Luís Honrado fez um belo jogo de raça e querer, muitas vezes sem seguidores, Jorge Morais esteve decisivo a cortar um lance para 2-0, muitas safadelas na sua área, pena os livres desaproveitados e foram alguns, Pedro Gouveia cedo substituído, depois mais tarde tocado por uma entrada dura de Carlos Fernandes, acabaria por ter um jogo discreto mas atípico, por ser decisivo em lances de bola parada, os cantos (belos cruzamentos!) e a grande penalidade que friamente marcou, estava o estádio em polvorosa, parabéns pela calma demonstrada, havia corações a 100 à hora e os bombeiros em prevenção, Alex regressou bem, mais fresco, principalmente na segunda parte, esteve em muitos lances ofensivos, falta-lhe agora marcar, Ricardo Batalha lá esteve naquela batalha do meio campo, perdeu e ganhou, depois mais atrás parecia o piquete de emergência, sempre nas dobras, a salvar o que parecia perdido, gosto deste tipo de jogador, e o homem do jogo João Pedro, mais dois golos para a contabilidade (e que golos!) e muita transpiração, mas hoje com muita inspiração também, que ele sabe, é preciso é concentração na hora da verdade, faltou-lhe sorte num cruzamento de Pedro Gouveia e ele à boca da baliza atirou de cabeça por cima. Do banco vieram os gémeos Cardoso, muita abnegação, o Diogo até a defesa esquerdo jogou, um lugar que não lhe é muito familiar mas o que interessa é lá estar, é assim esta equipa, Vasco Oliveira é de novo decisivo no passe para outro golo, já havia sido assim na semana passada, embora fisicamente “estoire” mais cedo que os colegas (falta de treino…) está sempre lá na briga e tem um remate ao poste que seria a cereja em cima do bolo, bela exibição, e Diogo Rodrigues, de um modo geral mais discreto que os defesas não lhe davam um palmo, acabou por estar no momento do jogo, pois é sobre ele que é cometida a grande penalidade, que o isolaria e quem sabe marcaria, estes jogos de grande fôlego são bons para criar ritmos que os sub-10 não têm e ganhar experiências, que infelizmente só alguns reconhecem mas que para o ano lhes serão muito úteis.
Do árbitro já falei, muitas decisões polémicas, penso que esteve condicionado pelo jogo anterior, depois a pressão da claque local não ajudou, contabilizei duas grandes penalidades por marcar e sempre a favor do Ericeirense, mais tarde não deu tempo de compensação ao intervalo quando se justificava, mas depois não lembra a ninguém no final dar 4 minutos, ok, houve algumas paragens, mas parecia que o jogo só acabava quando o Tojal empatasse de novo… ou então éramos nós que estávamos nervosos demais, damos a mão à palmatória…
Dino Gouveia
Publicada por Hugo Rodrigues em 11:16 - Ericeirense
(Noticia retirada do blog do Ericeirense)